Código: 486

A INDÚSTRIA RADICAL Leituras de cinema como arte-inquietação

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Referência: 978-85-7751-07


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Ao longo do século xx, ao passo que o desenvolvimento técnico revelava-se em toda a sua potência monstruosa e o capitalismo atingia seu auge com a imposição do American way of life, o cinema se afirmou com uma duplicidade que o marca até hoje: a de um grande negócio e uma grande arte. Os próprios recursos técnicos cinematográficos, assumidos como desafios estéticos ou meras vantagens, se instauram na base dessa duplicidade, e a alimentam permanentemente.

As respostas a essa tensão fundamental são tão diversas quanto o são os cineastas, senão os filmes, que se atreveram a enfrentá-la, e esta coleção de ensaios de vários autores, dividida em duas seções-provocações – ´Clássicos, indomáveis?´ e ´Ágons contemporâneos´ –, reúne uma pequena mas significativa amostra dessas possibilidades.

Se em Cidadão Kane, objeto do estudo que abre o volume, é ainda à grandeza interior do humano – embora tragicamente tolhida pela engrenagem do capital – que se presta o uso inovador dos recursos técnicos, o antiestetismo visceral da recente ´estética´ camp, sobre a qual se debruça o derradeiro ensaio do livro, escancara o desvalor extremo que passou a cercar o humano.

Portanto, se o caráter tão humanamente promissor do cinema é indissociável de sua dignidade estética, é nos extremos da desumanização que se põe à prova e, enfim, se realiza efetivamente esse ´caráter´: essa sempre dolorosa porquanto irrealizável promessa, do humano em tempos desumanos. Irrealizável ou realizável apenas como mentira consumada, e daí, talvez, a frequente necessidade de sabotá-la, como o fizeram, de formas diferentes, cineastas como Pasolini, Buñuel, Joaquim Pedro de Andrade, Glauber Rocha, David Cronenberg, David Lynch, Lars ´von´ Trier e Sérgio Bianchi. Ou então de levá-la a extremos que a reafirmem para além das lógicas instituídas: seja a dos renitentes maniqueísmos, o que vale para muitos dos citados e ainda para o Beto Brant de Crime delicado e para os documentários de Errol Morris e Eduardo Coutinho; seja a dos limites da vida regulada, como nos filmes de Herzog, documentários ou não, sempre demandantes de uma radicalidade viva.

A própria ´fábrica de sonhos´ e seus padrões são muitas vezes afrontados e desconstruídos nessas empresas radicais: e não apenas por cineastas (como os David: Lynch e Cronenberg) que transitam por ela, como por um Sérgio Bianchi que encena a agonística dos gestos dramáticos com o real da vida num diálogo com Machado de Assis; ou um Glauber Rocha cuja paródia delirante dos filmes de ação e glamour, em Terra em transe, cria um espelho sinistro – e, com ele, a consciência implacável – da alienação que mesmo os gestos estéticos radicais não eliminam. Gestos, no entanto, que não deixam de ressoar em nichos poderosos do próprio parque industrial, como atestam as leituras aqui empreendidas da trajetória do vilão singelamente cult-mainstream Darth Vader e dos clássicos do werstern estadunidense, com suas violentas tensões entre o imaginário, o real e o ideológico

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Características