Código: 740

Amanhã é dia de santo

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Referência: 978-85-7939-25


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Neste livro, a jovem historiadora Angela Fileno, na esteira dos estudos sobre as idas e vindas de escravos, ex-escravos e libertos que ligaram a Bahia à Costa da Mina (litoral da África Ocidental que se estende a leste do Castelo de São Jorge da Mina, incluindo as antigas Costa do Ouro e Costa dos Escravos), apresenta os importantes resultados de sua pesquisa de mestrado na qual, para além das conexões de interesses comerciais, analisa as dinâmicas sociais e as culturas em movimento, no âmbito das quais foram construídas identidades do grupo heterogêneo que se reconhece como “dos brasileiros”.

A volta à África como libertos iniciada no século XVII – por negreiros portugueses e baianos na Costa da Mina – aumentou de forma significativa com os desdobramentos da Revolta dos Malês, em 1835, e só fez crescer até o final do século XIX, em um processo constante de formação de redes econômicas, sociais e políticas.

Ao longo dos séculos XVIII e XIX estes territórios sobrepostos ensejaram entrelaçamentos de culturas dos “brasileiros” com as dos vários grupos de africanos. Mas não só. Atenta às complexidades, a autora também pontua as redes estabelecidas com portugueses, ingleses, franceses e alemães, que consideravam os “brasileiros” como “povo trabalhador” e “civilizador”, atribuições que por certo contribuíram para a formação das identidades dos “brasileiros” enquanto grupo diferenciado dos demais.

Nos atuais Benin, Togo e Nigéria houve um caldo de cultura ocidental, sustentado pela imposição da língua portuguesa e catolicismo de brancos e libertos, permeável a situações e contextos locais. E foi no ritual ao Nosso Senhor do Bonfim que se revelou a força da aproximação espacial e temporal entre Brasil e África e a pluralidade de aspectos religiosos que se cruzaram, criando condições para a reelaboração de culturas múltiplas.

Este livro trata de como a manifestação festiva revela o ponto central da estruturação do principal aspecto da identidade deste grupo que se valia da maleabilidade do ritual, redefinindo os seus aspectos católicos a partir da religião dos orixás. Articulada com as necessidades cotidianas, esta festa praticada por retornados católicos e muçulmanos ganhou a marca da africanidade. Em torno de batuques, danças e atabaques, os folguedos da burrinha – segundo alguns antropólogos uma forma arcaica de bumba-meu-boi – ganharam centralidade e desnudaram o processo de redefinição constante da identidade múltipla dos “brasileiros”. Celebrava-se Nosso Senhor do Bonfim e Oxalá, uma das muitas formas de ligação entre as duas margens do Atlântico.

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Características