Código: 732

PALHAÇOS DA CARA PRETA

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Referência: 9788577510870


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PALHAÇOS DA CARA PRETA
André Paula Bueno, 240 p., 2014, 16x23 cm
ISBN 978-85-7751-087-0 
 
 

Pai Francisco e Catirina, Mateus e Bastião, parentes de Macunaíma no boi, cavalo-marinho e folia-de-reis – MA, PE, MG

Sempre o país viveu o racismo, e sempre houve formas de ocultação desse racismo no discurso oficial da cultura letrada. Quem só lê o Brasil pelos livros tem contato com essa face. A outra face, que assumiu o racismo mostrando o problema, não ficou escrita desde tão cedo. Mas também não se perdeu, simplesmente seguiu sem a escrita oficial para sobreviver. A cultura afro-brasileira veio se desenvolvendo e desdobrando e ganhou as ruas paulatinamente. Além dos bumba-bois, cavalos-marinhos e folias-de-reis que veremos aqui, festas, personagens, ritos e músicas dos afrodescendentes e povos indígenas hoje orientam a cultura do país de modo renovado. E fornecem material de conhecimento a professores, jornalistas, músicos, atores, religiosos, cozinheiros, arquitetos, escritores, marqueteiros, médicos, advogados, terapeutas etc.

O que é interessante, sobre esses conhecimentos próprios da transmissão oral, é o tempo, na contramão da modernidade. Num primeiro contato muita gente apreende o sentido geral e já participa das manifestações culturais, mas só com anos de convivência é que se tocam melhor as histórias, os sentidos, o espírito da coisa e a coerência grande da cultura afro-brasileira.

Este trabalho aponta aspectos históricos e literários do país que sempre se deram numa relação com a presença negra e indígena, mesmo ocultando ou manipulando dados. Homens ´de cor´ sempre presenciaram os fatos, foram sujeitos de transformações, mas a cultura racista dominante fez por ocultar verdades.

No teatro de rua dos bois e folias-de-reis essas verdades vieram sendo encenadas sem maior documentação por jornais e outros meios, e muitas comédias de alto desenvolvimento crítico e social deixaram de ser valorizadas. Mostram-se aqui exemplos de como isso se deu e se dá, a ponto de existir uma tradição narrativa entre as danças dramáticas brasileiras. Será possível entender vários frutos bons que Mário de Andrade colheu, de onde brotaram.

Este enfoque é talvez inédito nos estudos de literatura e cultura popular, trazendo para a frente de análise personagens que a transmissão oral realça, mas que ficavam em segundo plano em diferentes registros nacionalistas da cultura brasileira, desde o Romantismo e o Modernismo. Aqui a comparação com Macunaíma se aproveita de maneira duplamente produtiva: melhorando o estudo daqueles personagens ditos ´palhaços´ e revendo ´o herói sem nenhum caráter´ em sua gênese e presença literária, tão vitais. Pode-se dizer que o Macunaíma na literatura brasileira é exceção, mas nas danças dramáticas é regra, desde as intuições de Mário de Andrade.

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